quinta-feira, 20 de maio de 2010

Against Tsunamis

À noite desceu um cheiro de umidade
que lembrava um aperto no peito.
Lembrava outras noites molhadas
em que se contorcia por não poder dominar
o que lhe era de direito.

Enlouquecia por supor o que ocorria
em territórios inalcançáveis
que ela sabia ser seu dever não adentrar.
Insegurança descarada,
disfarçada de mera distração.


A lembrança de um peito sufocado
ressalta a sensação de alívio
do ar fresco invadindo os pulmões.

Ela espreguiçou,
estalou os dedos,
alongou o corpo.

Sorveu a vida nas coisas simples,
no mundo cheio de possibilidades.

O repuxo era forte,
volta e meia.
Mas ela tinha os pés cravados no chão
e o olhar na direção certa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cheiro no meu gato

Eu cheguei em casa e dei um cheiro no meu gato. 
Fechei a janela pra ele não olhar pra fora. 
Tudo o que precisa ele tem bem aqui, do lado de dentro. 
Ele olhou rápido pela fresta se acabando. 
Pensou nas gatonas e gatinhas no cio, tão cheirosas. 
Pensou, mas logo esqueceu, 
e correu da sala para a cozinha, 
grudado na barra da minha saia.