À noite desceu um cheiro de umidade
que lembrava um aperto no peito.
Lembrava outras noites molhadas
em que se contorcia por não poder dominar
o que lhe era de direito.
Enlouquecia por supor o que ocorria
em territórios inalcançáveis
que ela sabia ser seu dever não adentrar.
Insegurança descarada,
disfarçada de mera distração.
A lembrança de um peito sufocado
ressalta a sensação de alívio
do ar fresco invadindo os pulmões.
Ela espreguiçou,
estalou os dedos,
alongou o corpo.
Sorveu a vida nas coisas simples,
no mundo cheio de possibilidades.
O repuxo era forte,
volta e meia.
Mas ela tinha os pés cravados no chão
e o olhar na direção certa.