Sua mão estava coçando muito ultimamente. Pensava muito em questões práticas e andava esquecendo de escrever. Já não passava horas divagando, queria coisas mais palpáveis. Comer o pão, cravar as unhas na carne, morder-lhe os lábios...
Também não queria mais escrever tratados românticos, ou expor suas vivências, que desde o perigoso aparecimento de um escorpiano, andavam mais resguardadas.
Sua mente continuava indomável como antes, quando desocupada, porém, por hora permanecia atarefada com outras tarefas intelectuais. Quando lhe tinha livre, queria alçar vôo, com liberdade, mas o céu que havia criado para si mesma a aprisionava. Queria traçar linhas em primeira pessoa, ser outras, outros, ser narrador onisciente, onipresente, implacável em sua caçada literária, criativa.
Criar novos espaços, talvez... ficar incógnita, de dentro espiando para fora. Olhando por seu próprio umbigo, escondida em todos os personagens e em nenhum. Fazer o que se o seu casulo a aprisionava criativamente?
É com o pão e cravando as unhas que se cultiva os ingredientes da escrita...
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