domingo, 18 de julho de 2010

Pra que todos tenhamos um pouco, de crianças e de loucos

Detesto despedidas.
Prendo as lágrimas, não quero assustar os pequenos.
A cena é de velório, crianças não escondem sentimentos.

Sob todos os aspectos, analiso.
Adultos orgulhosos são mais fáceis de deixar.
Viro as costas, piso firme,
salto alto, não atendo o celular.


Uma semana,
o amor acabou
e tudo volta ao seu lugar.

As crianças, por outro lado,
 pesam melhor o que se pode perder
por orgulho,
o que se pode deixar de dizer,
pra depois se arrepender.


Ou,
não medem nada,
simplesmente deixam cair as amarras,
 talvez ainda não estejam bem atadas,
e se entregam ao sentimento.


É difícil deixá-los.
As caras lindas,
os sorrisos que eu apaguei
embargam meu coração.


Eu mesma queria voltar ao ser criança,
 pra não ter que fingir.
Não viver na frigidez deste mundo de adultos,
que jogam jogos agressivos,
dançam danças sem par,
pra se esconder de si mesmos.


Só às crianças e aos loucos 
se permite o ser puro, 
imperfeito como é.
Como somos.

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