Trazia no peito restos de toda a parte.
Os restos se juntavam e compunham a canção.
A canção durava o tempo do andor.
Os versos, de restos iam se tecendo e se moldando.
De certa maneira criavam eles mesmos o caminho,
Ditavam o próximo destino.
Ela se deixava levar...
Mas não cantava.
Trazia um tampão na goela, que por vezes voava com lufadas de um vento que vinha lá de dentro.
O cenário tórrido de um verão tardio e úmido era opressor, e cada um reage do seu jeito à opressão.
Tinha dias em que o tal vento só queria sair, se perder na atmosfera.
Numa rua lotada, num bar cheio de gente, quando andava na multidão.
Queria urrar, disfarçar-se de louca,
Rasgar o pano da normalidade, por uns segundos de embriaguez.
Depois, a chuva veio, pra lavar a madrugada.
Tirar as marcas da calçada
Onde a canção estava gravada.
A canção já não era nada,
A menos que fosse entoada.
Mas ela não cantava.
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