terça-feira, 14 de setembro de 2010

Welcome home, Spring!


Hoje o vento trouxe um cheiro no ar... Cheiro de setembro, pólen, primavera. Promessa de coisas novas, nascentes.

Vai aquecendo e a gente florescendo... andando ao sol, correndo rua!



domingo, 18 de julho de 2010

Pra que todos tenhamos um pouco, de crianças e de loucos

Detesto despedidas.
Prendo as lágrimas, não quero assustar os pequenos.
A cena é de velório, crianças não escondem sentimentos.

Sob todos os aspectos, analiso.
Adultos orgulhosos são mais fáceis de deixar.
Viro as costas, piso firme,
salto alto, não atendo o celular.


Uma semana,
o amor acabou
e tudo volta ao seu lugar.

As crianças, por outro lado,
 pesam melhor o que se pode perder
por orgulho,
o que se pode deixar de dizer,
pra depois se arrepender.


Ou,
não medem nada,
simplesmente deixam cair as amarras,
 talvez ainda não estejam bem atadas,
e se entregam ao sentimento.


É difícil deixá-los.
As caras lindas,
os sorrisos que eu apaguei
embargam meu coração.


Eu mesma queria voltar ao ser criança,
 pra não ter que fingir.
Não viver na frigidez deste mundo de adultos,
que jogam jogos agressivos,
dançam danças sem par,
pra se esconder de si mesmos.


Só às crianças e aos loucos 
se permite o ser puro, 
imperfeito como é.
Como somos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Against Tsunamis

À noite desceu um cheiro de umidade
que lembrava um aperto no peito.
Lembrava outras noites molhadas
em que se contorcia por não poder dominar
o que lhe era de direito.

Enlouquecia por supor o que ocorria
em territórios inalcançáveis
que ela sabia ser seu dever não adentrar.
Insegurança descarada,
disfarçada de mera distração.


A lembrança de um peito sufocado
ressalta a sensação de alívio
do ar fresco invadindo os pulmões.

Ela espreguiçou,
estalou os dedos,
alongou o corpo.

Sorveu a vida nas coisas simples,
no mundo cheio de possibilidades.

O repuxo era forte,
volta e meia.
Mas ela tinha os pés cravados no chão
e o olhar na direção certa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cheiro no meu gato

Eu cheguei em casa e dei um cheiro no meu gato. 
Fechei a janela pra ele não olhar pra fora. 
Tudo o que precisa ele tem bem aqui, do lado de dentro. 
Ele olhou rápido pela fresta se acabando. 
Pensou nas gatonas e gatinhas no cio, tão cheirosas. 
Pensou, mas logo esqueceu, 
e correu da sala para a cozinha, 
grudado na barra da minha saia.

domingo, 18 de abril de 2010

Lula Queiroga - Melhor do que eu sou (pensando alto)


Eu sei que você sente falta
Soube que às vezes até chora por mim
Por isso é que eu tenho aparecido pouco
Eu sei que fica mais fácil
Você gostar de mim quando eu não estou
Imaginar um sujeito ideal
Meio normal, meio louco
Todo mundo faz um filme
Com a lente da mente
E no deserto do seu coração
Prefiro ser um vulto distante
Do que um chato a mais por perto
Aposto na surpresa, num momento
Quando a gente se encontrar de novo
E demorar num beijo
Até perder a língua, a voz e a noção
Do que é que pode acontecer entre nós
Amanhã não vou te procurar
E você vai me achar melhor do que eu sou
Amanhã não vou te procurar
E você vai me achar melhor do que eu sou

Um pouquinho de Nei Lisboa


Era dos companheiros mais antigos, influência poética e musical, simplesmente um deleite:

Rima Rica/ Frase Feita
Desculpe, meu bem
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro

quinta-feira, 18 de março de 2010

Poeminha

Trocou o ar nos pulmões,

queria gritar, mas não devia.

Não era desespero.

Era exaltação.

Talvez nem mesmo pudesse gritar,

por não haver palavras,

ou grunhidos capazes de dizer.

Riu em gargalhadas.

Por nada.

Inspirava fundo e algo ascendia dentro de si.

E o riso virava rio,

Por tudo.

Era como um bocejo,

só que maior,

bem mais embaixo,

e em todo o lugar.