segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Às sétimas séries do Afonso Vizeu

Naquela manhã, ao ouvir a notícia, em um momento ou outro imaginou, que com certeza choraria, mais tarde, “na cama que é lugar quente”, como dizia uma amiga. Se fez de durona, e levou a coisa com uma pitada de alegria sarcástica, tal qual costumava fazer quando se sentia insegura. A notícia a tomou de surpresa, assim como a chuva.

Quis ainda, mais umas duas ou três vezes, ao longo da manhã, derramar uma lágrima, para aliviar os olhos, deixar-lhes transbordar.

Ao ouvir os protestos de todos os pequenos, ao lembrar que não teria tão cedo melhor motivo para sair da cama, foi de novo acometida pela enchente nos olhos. Não queria ir, embora o tempo todo estivesse esperando por isso.

E a chuva não deu tréguas, mais tarde em seu travesseiro. O conselheiro de todos os difíceis momentos, seu companheiro mais íntimo foi lavado por toda a água daquela tempestade.

Sabia ser uma mulher forte, embora por pequenos momentos se permitisse alguns pitis. Sabia que nada viria para ela que não pudesse suportar. Então, tinha certeza que outros motivos viriam a levantá-la da cama, ainda assim, tinha a plena certeza que nenhum deles teria aqueles olhinhos brilhantes e provocativos, e que muito provavelmente nenhum deles a instigaria tanto.

Depois da enchente, recolheu os panos molhados e foi estendê-los ao sol. Agradecia à vida por ter lhe proporcionado a oportunidade de ver tais olhinhos brilhando, de conhecer tais pequenos especiais. Enfim, por mais uma vez se apaixonar pela arte de educar.

2 comentários:

  1. Lindo! emocionante! e a enchente é contagiosa...

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  2. Sora , lindo adoreii !
    Fiica sabendo que meus olhos também derramaram lágrimas naquele dia .

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