Sua memória andava dizendo a que veio. Funcionava direitinho, lembrava de todos os seus números, e não eram poucos; Lembrava de todos os amores, com detalhes, sabia o que exatamente lhe encantara em cada um.
Um belo dia descobriu que havia lapsos. Notou então que guardava apenas o que lhe era agradável. Sua memória não guardava mágoas nem ressentimentos. Tinha de lutar com ela para não sorrir agradavelmente àquela pessoa que um dia tinha sido uma grande filha da puta.
Mas, as coisas mudam, a vida ensina. Rancor já não era a palavra. Ressentimento também não era exatamente o que sentia. Simplesmente havia matado certas relações em seu coração, para que fossem exatamente o que deveriam ter sido. Nada.
Havia de não conhecer tais seres, e não reconhecer em tais relações a si própria.
Marcada como a ferro e fogo estava sua memória, marcada com coisas que nem mesmo a mais relapsa das memórias poderia esquecer.
Lindo! Consegues escrever coisas em que a gente se reconhece! Isso é dom e é técnica, precisas continuar. Sabe aquelas crônicas que se lê e sente: bah, ela diz o que eu queria dizer, o que eu tb sinto?
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