quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Recebendo Dezembro

Depois de tormentas e tempestades, aguaceiros por todos os lados, finalmente se sentia numa grande calmaria. Pronta a se voltar a seus anseios e esquecer as habituais fugas à noite que tanto lhe consolavam e curavam as feridas, quanto por vezes às expunham ainda mais.

Carregava consigo amuletos trazidos das muitas noites de temporais que havia enfrentado. Trazia para seus textos as almas doidas que haviam cruzado seu caminho. Trazia as tristes também. Trazia a impressão de que à noite todos estavam em fuga e em busca. Fuga e busca de si mesmos.

Ela mesma andara fugindo. Fugindo do que fora e buscando o que viria a ser. Acreditava haver encontrado a quem tanto buscava, em casa, na cama, uma manhã dessas, de ressaca. Foi tomada por uma grande tranqüilidade, um sossego enorme. Sabia que não havia mais nada a procurar lá fora, na noite. Estava tudo ali mesmo, guardado dentro de seu próprio peito.

Seu dezembro havia chego trazendo calma, calor e segurança, como sempre fazia. Com o porém de talvez ser o segundo primeiro dezembro de sua vida. Após as instabilidades constantes de agosto, as lindas descobertas de setembro, os horrores de outubro e novembro, vinha agora seu dezembro, com seus panos quentes e seus calmantes analgésicos.

Faria da noite então, como dizia uma amiga, trabalho de campo, coleta de material para sua produção, que talvez não viesse agora a ser tão intensa, mas que com certeza abandonaria seu caráter um tanto incipiente.

2 comentários:

  1. Gostei do teu segundo primeiro dezembro.
    Talvez pudesses clarear melhor essa parte mesmo.
    Parece que percebo uma navegadora ancorando em si mesma. Bonito!

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  2. Navegadora ancorando em si mesma, mas que precisa deixar os fluxos de tempestade serem mais intensos. Buscar o vir a ser é mergulhar no lago vazio de si mesmo, no balde sem água, pois os lagos cheios, os baldes com água são o vir a ser do mundo, por vezes propostas muito fáceis e que não dão direito a reflexão. Nessa armadilha falsa cairam os hippies e todos os movimentos de transformação do mundo. Como diziam os filósofos as crises são necessárias para a criação, e muitos deles evoluiram por crises, movimentos de desterritorialização.

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