quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Carolinas

Na manhã anterior, acordou cedo na capital. Pôs uma roupa e aderiu ao ritual matinal. Tudo igual e ainda assim distinto. Saiu, com folga no tempo, andando devagarinho. Era domingo de manhã e a rua estava tomada de pessoas matinais incrivelmente dispostas. Definitivamente ela não era uma pessoa matinal, mas quando o dever chamava, caía da cama e ia batalhar.

Havia ainda aqueles para quem a noite não tinha terminado. A estes, os guarda-chuvas denunciavam na manhã ensolarada, afinal prevenir é melhor do que remediar, e o seguro morreu sequinho, sequinho e bêbado, lá pras bandas da Cidade Baixa.
Depois do breve passeio no coletivo, chegou ao seu destino. Prédio em frente a Redenção. O bric estava em montagem. A sala estava cheia, em torno de quarenta pessoas com algumas coisas em comum, entre elas o nome. 40 Carolinas de todos os jeitos, prá todos os gostos. Lhe impressionava a diversidade. Carolinas gordas, Carolinas magras, Carolinas altas, baixas, burras e inteligentes. Carolinas tuberculosas, Carolinas meticulosas, maniáticas. Carolinas Patrícias, Carolinas Marias. Unhas pintadas, cabelos chapados, coloridos. Jóias e bijoux, água, muita água. Caneta azul ou preta, documento de identidade para diferenciar tanta Carolina.
Pensou, pensou, detestava esperar. Ansiosa, batia com as unhas na classe, esperando causar irritação em alguma outra Carolina impaciente. Tentava também guardar as conjeturas que a mente fazia aproveitando o ócio. Essencialmente, se seu nome fosse Godofreda, jamais teria chego até aqui.

Um comentário:

  1. Mesmo que o nome fosse outro teria chegado até ali, entretanto não estaria entre as inúmeras Carolinas, e talvez estivesse incólume do alto da singelesa de ser única como Godofreda, em meio as Gabrielas, Gertrudes e outras Ges.

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