Repentinamente sentiu-se livre. Estranhamente desimpedida das amarras e mordaças que a seguravam. Olhou em volta e percebeu que ainda estava trancada, de fato, naquela peça obscura. As cordas e nós ainda estavam lá, e aquele maldito pedaço de pano, ainda apertava sua língua, envolto em sua boca. Sem se mover, percebeu um cheiro doce de flores e um leve carinho caloroso de sol em seu rosto. Enfim a primavera. Sentia-se como uma borboleta, pronta para deixar seu casulo. Sabia que as amarras, assim como as lagartas, ela mesma as havia tecido.
Em um labirinto de imagens e sonhos via-se tramando fibra a fibra, as algozes de sua liberdade. Com resignação cerziu todo o seu invólucro. Só agora sabia, entendia, que tamanha resignação morava no fato de tais amarras não serem absolutamente uma mortalha. Este aroma leve e a brisa que quase podia sentir eram o prenúncio de uma transformação. Só então percebeu a física quântica, na escolha de não permanecer gorda lagarta, de ganhar asas, linda borboleta. E se acaso preferisse a noite, mariposa.
Então, deu meia-volta. Foi desfazendo cerzidos e tecidos, andando sobre seus próprios passos. Catando as lembranças que lhe fossem úteis e belas, para com elas adornar suas asas, seguiu. Com a mesma paciência usada na tessitura deste casulo, despiu-se de todas as amarras. Um a um foram caindo por terra os panos que a prendiam. Em um último esforço rumo à liberdade, cuspiu a mordaça imaginária que a calava. Enfim saiu de asas abertas para seu mundo novo, no qual tudo era o raro e imenso prazer da descoberta.
Em um labirinto de imagens e sonhos via-se tramando fibra a fibra, as algozes de sua liberdade. Com resignação cerziu todo o seu invólucro. Só agora sabia, entendia, que tamanha resignação morava no fato de tais amarras não serem absolutamente uma mortalha. Este aroma leve e a brisa que quase podia sentir eram o prenúncio de uma transformação. Só então percebeu a física quântica, na escolha de não permanecer gorda lagarta, de ganhar asas, linda borboleta. E se acaso preferisse a noite, mariposa.
Então, deu meia-volta. Foi desfazendo cerzidos e tecidos, andando sobre seus próprios passos. Catando as lembranças que lhe fossem úteis e belas, para com elas adornar suas asas, seguiu. Com a mesma paciência usada na tessitura deste casulo, despiu-se de todas as amarras. Um a um foram caindo por terra os panos que a prendiam. Em um último esforço rumo à liberdade, cuspiu a mordaça imaginária que a calava. Enfim saiu de asas abertas para seu mundo novo, no qual tudo era o raro e imenso prazer da descoberta.
Boa idéia essa de seguir-nos por aqui. Lembrei-me deste canto da Odisséia II, 104-5:
ResponderExcluir“Mas não insteis sobre as núpcias, conquanto vos veja impacientes,
té que termine este pano, não vá tanto fio estragar-se,
para mortalha de Laertes herói, quando a Moira funesta
da Morte assaz dolorosa o colher e fizer extinguir-se.
Que por qualquer das Aquivas jamais censurada me veja,
por enterrar sem mortalha quem soube viver na opulência” .
“Passa ela, então, a tecer uma tela mui grande de dia:
à luz dos fachos, porém, pela noite destece o trabalho” .
Bjs.
Muito legal o blog hein! Adorei a proposta!
ResponderExcluirSeja bem vinda!!!!!!!!!!!!
bjsss