A dor não era perene. Ela se dividia em pequenos drops que lhe eram entregues nas ruas por desconhecidos, no trabalho por mal conhecidos e até mesmo por completos conhecidos, inimigos íntimos. Alguns drops a lembravam de um tempo com novas esperanças, que agora eram velhas desilusões.
Em que momento exatamente, teria ela soltado as rédeas da própria vida? Sentia-se, tal como outrora, uma velha índia, presa a um corpo jovem. O calendário foi se desfolhando, ao passo que tudo ficava mais distante. Dera as costas à própria história e fora viver uma forjada. Tudo se tinha tornado fora de controle.
Porém agora, sua vontade tinha vontade própria, e se sobrepunha. Voltar sobre os farelos de pão não podia, pois como na fábula, as aves os haviam comido. Decidiu pegar à esquerda na estrada de tijolos amarelos. Deu uma curva no lobo mau e foi à casa da bruxa má do leste tomar um chá.
Contos e fábulas haviam povoado seu imaginário desde muito cedo, e tinha superado os finais felizes, quando tinha 8 anos. Aprendeu a brincar com as possibilidades. Nem tão felizes como contos de fadas, nem tão tristes como novelas mexicanas seriam seus finais. Seriam como o soro caseiro contra a desidratação, uma pitada de sal, outra de açúcar: tal qual lágrima.
Seriam finais sem finais, finais estes sim, perenes. Como a vida, sal e açúcar na mesma lambida. Quando se brinca com possibilidades, deve-se tê-las na mão. Abrem-se portas, fecham-se portas, e ela deve apenas saber qual escolher.
Em que momento exatamente, teria ela soltado as rédeas da própria vida? Sentia-se, tal como outrora, uma velha índia, presa a um corpo jovem. O calendário foi se desfolhando, ao passo que tudo ficava mais distante. Dera as costas à própria história e fora viver uma forjada. Tudo se tinha tornado fora de controle.
Porém agora, sua vontade tinha vontade própria, e se sobrepunha. Voltar sobre os farelos de pão não podia, pois como na fábula, as aves os haviam comido. Decidiu pegar à esquerda na estrada de tijolos amarelos. Deu uma curva no lobo mau e foi à casa da bruxa má do leste tomar um chá.
Contos e fábulas haviam povoado seu imaginário desde muito cedo, e tinha superado os finais felizes, quando tinha 8 anos. Aprendeu a brincar com as possibilidades. Nem tão felizes como contos de fadas, nem tão tristes como novelas mexicanas seriam seus finais. Seriam como o soro caseiro contra a desidratação, uma pitada de sal, outra de açúcar: tal qual lágrima.
Seriam finais sem finais, finais estes sim, perenes. Como a vida, sal e açúcar na mesma lambida. Quando se brinca com possibilidades, deve-se tê-las na mão. Abrem-se portas, fecham-se portas, e ela deve apenas saber qual escolher.
Lindo,Carol. Profundo e leve, qual alto voo de andorinha. Começando não dá vontade de parar. Terminando se quer recomeçar.Parabéns!
ResponderExcluirescreves bem. Bem demais!!!
ResponderExcluirTio Chico.