Lavou, tá novo, diziam. Nada! Naquela manhã acordou cedo e foi se lavar. Tentava tirar de seu corpo as marcas das noites anteriores. Não adiantou. As marcas ficaram vincadas em seu ventre, onde de uns dias para cá, carregava uma dentadura que lhe mordia por dentro. Depois lagarteou na janela, como uma gata se debruçou, repousando a cabeça, pesada, nos braços.
Deus dá o frio conforme o cobertor, diziam. Será? Às vezes, simplesmente não se sentia capaz de suportar certas coisas que a vida lhe reservava. E este setembro não acabava. Fora um mês intenso, e não se atrevia a dar por acabado até que seu último dia se fosse. Contava nos dedos, pois se o outubro viesse tal qual setembro, seu cobertor não seria suficiente, apesar da contradição de o clima ficar cada vez mais ameno, à medida que o tempo se aproximava de seu dezembro.
A isso se somavam muitas marcas visuais. Lembranças de muitas cores e narizes de palhaços. Muitos sorrisos e gargalhadas. A comunhão com o sagrado palco a invadiu. Voltou a seu velho teatro, foi então que resolveu reencontrar seu personagem favorito, ver o mundo através dela. Rir do mundo e de si mesmo, já dizem, é mesmo o melhor remédio. E deu boas vindas à Comédia.
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