segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Cosméticos
sábado, 24 de outubro de 2009
O Poema
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Só, nem ao menos Deus por perto...
Achava estranho que as pessoas não conseguissem suportar o fato de se estar só. Tinham sempre a tendência a agrupar-se, mesmo que isso as trouxesse mágoas. Pessoas eram especialistas em magoarem umas às outras, mas ainda assim preferiam as más companhias a estarem sozinhas. Tal medo, ou aversão, fazia com que recriminassem este comportamento socialmente.
Ora, ela havia aprendido a adorar a sensação de auto-suficiência que a solidão lhe proporcionava. Sensação esta, reforçada pelo enfrentamento com os pesados olhares recriminatórios. Simplesmente, por tornar-se mais forte frente a seu inimigos, crescia em vista de tais olhares. Ademais, com caneta, papel e sua liberdade de ir e vir, simplesmente amava sua própria companhia.
Talvez fosse isso. Talvez tais pessoas, amargas, não suportassem a si próprias, e não concebessem que alguém pudesse realmente sentir-se bem consigo mesmo. Traziam para elas a obrigação de constranger todos os seres donos de si, para que tais seres jamais voltassem a sair às ruas, solitários. Queriam criar um ambiente hostil à auto-suficiência e as ruas não eram nada, nos restaurantes e bares, todos andavam agrupados, com as amigas que lhes traíam, os amigos que lhes roubavam, os namorados que tanto lhes mentiam. Seres humanos que pagavam o preço de não suportar suas próprias angústias, medos, neuroses e chatices.
Sua fé nas relações humanas, nem por isso se perdia. Apenas, pensava que bengalas humanas não lhe caíam bem. Queria relações fortes, com pessoas únicas, que não lhe precisassem para desfilar na rua, ou mera companhia no almoço.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
"Procure entrar em si mesmo...
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Inside looking out
Olhando para fora quase não se perdia... via a cidade retinha, que conhecia na maior parte como a palma da sua mão. Aquelas ruas planejadas e certinhas que via e vivia desde criança, cresciam e continuavam a lhe trazer a sensação de fazer parte de um todo. Isso embora essa retidão em nada se parecesse com ela, que era tortuosa. Sabia bem onde ela começava e onde terminava essa cidade. Via os passos dos pelotenses apressados na rua... fazendo o que sempre faziam, dia após dia. Não pôde evitar se questionar, será que sabiam onde acabavam aquelas ruas retas, e onde eles mesmos começavam?