segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cosméticos

Não todas, mas muitas mulheres sentem um profundo orgulho besta ao olhar para seu arsenal de cosméticos. De todos os tipos: perfume, creminho, batom, rímel, sombra, base, pó, corretivo, cajal, delineador, esmalte, shampoo, condicionador, e até mesmo o reles sabonete tem lugar no coração das moças de todos os cantos. Fora de moda somente o bom e velho talquinho, que hoje encontra maior popularidade entre os velhinhos e as bundinhas de nenéns.

Enfim, meninas os encaram como seu material de trabalho, ou até mesmo conjunto de armas mortais. Aliados fiéis na arte da conquista, acompanham desde as feias até as mais belas. Desde as pobres, até as mais ricas, uma questão de filões de mercado, afinal obedecem todos os gostos e bolsos.

Ela mesma se achava um pouco alternativa, até desleixada em muitos momentos. Foi um clique, um tique, um lance fraco. Naquela noite se pegou fitando sua nécessaire recheada de seus companheiros cosméticos. Sentiu uma palpitação, depois teve uma atitude um pouco petulante, e ao final se envergonhou, e até riu desse tal orgulho besta que havia surgido em seu peito. Ora, amor por tais objetos, que embora sejam as armas da sedução, e por vezes os heróis da compostura, era uma coisa tão banal, que ia contra todos os seus princípios de ex-militante socialista.

Materialismo e propriedade privada dentro da caixinha transparente, e aquele amor que o apelo ao consumo a fazia sentir. Uma necessidade básica: cosméticos. Só mesmo o capitalismo para envolvê-la de maneira tão forte e imergi-la num mar de paixão cosmética.

Um comentário:

  1. Leve, crônica gostosa de ler, mas suscita grandes reflexões.
    Pior o fetiche que determinados objetos passam a ter...
    Desejos capitalistas! novos e minúsculos deuses passam a ter lugar nesse panteon ocidental, sem que a gente se dê conta, eles vão se impondo...

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