segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Inside looking out

Alguns dias olhava para fora, outros olhava para dentro.
Olhando para dentro, reparou que estavam todos sozinhos, e que assim queriam estar. Entravam e escolhiam o banco vazio, deixando um lugar a seu lado para os amigos imaginários, ou para o simples medo de conhecer o novo. Também ela havia feito isso. E ela o fazia com um propósito, já havia dito antes, a agradava a companhia de todos e de ninguém. Praticava o exercício da alteridade, buscando definir exatos os seus limites e os dos outros. Os contornos daqueles indivíduos lhe mostravam os seus próprios...
Olhando para fora quase não se perdia... via a cidade retinha, que conhecia na maior parte como a palma da sua mão. Aquelas ruas planejadas e certinhas que via e vivia desde criança, cresciam e continuavam a lhe trazer a sensação de fazer parte de um todo. Isso embora essa retidão em nada se parecesse com ela, que era tortuosa. Sabia bem onde ela começava e onde terminava essa cidade. Via os passos dos pelotenses apressados na rua... fazendo o que sempre faziam, dia após dia. Não pôde evitar se questionar, será que sabiam onde acabavam aquelas ruas retas, e onde eles mesmos começavam?

2 comentários:

  1. acho q começava ali pelas doquinhas!!

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  2. Acho que podia começar à beira da Laguna. Comprometedora essa foto. hehehehhe

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