terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Tempo da Vida

Nos últimos tempos lhe rondava a cabeça a idéia de abandonar a dor e o odor da putrefação e compor algo mais leve, como seu próprio estilo. Voltar às origens, esquecer de vez o que a fez como a fênix, queimar em brasa e renascer das cinzas.

Talvez devesse até mesmo agradecimentos a esses dois, afinal a dor e o prazer a fazem sentir viva. E seu renascimento, tal qual fênix, a tem feito uma nova pessoa. Mais encrespada, como gato assustado, desconfiada, é verdade, mas uma nova pessoa. Já havia dito, tem agora seu casco mais duro, a pele mais calejada.

Em história existem marcos, momentos representativos das mudanças e das transformações ocorridas, daí se exaltarem datas e grandes nomes. Na vida, assim como na história, lá estão os marcos a definir quando se passa de uma fase para outra.

Se há uma data, a data é hoje, e neste caso os grandes nomes são o seu próprio, e o do fiel escudeiro. Autor de uma certa solenidade conferida ao evento, assim como o fazia em praticamente todas as ocasiões. O fato, enfim, o tal marco, em linhas gerais, numa descrição não positivista é claro, devido à subjetividade fora a assinatura de sua própria carta de alforria, o rompimento formal com um outro tempo.

Como na história, na linha do tempo da sua própria vida, tudo era em verdade um processo, e ela mesma não ligava muito para datas. O amanhã já estava acontecendo, ali, hoje. E ademais, a próxima IDADE estava por vir... saíra da Idade Média, a das “Trevas” para entrar na Idade Moderna, curtindo o Renascimento.

Um comentário:

  1. Carol, lindo o teu Tempo da Vida. Gostei da mescla que fizeste com o tempo individual e o social. Teceste de uma forma como se estivesses fazendo uma trama de tear, onde se percebem as duas linhas, mas o resultado não é só a soma das partes, é também algo novo, único, especial.

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