terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Assuntos de travesseiro...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Canção em Pedaços
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Mary & Max
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Welcome home, Spring!
domingo, 18 de julho de 2010
Pra que todos tenhamos um pouco, de crianças e de loucos
Prendo as lágrimas, não quero assustar os pequenos.
A cena é de velório, crianças não escondem sentimentos.
Adultos orgulhosos são mais fáceis de deixar.
Viro as costas, piso firme,
salto alto, não atendo o celular.
Uma semana,
o amor acabou
e tudo volta ao seu lugar.
pesam melhor o que se pode perder
por orgulho,
o que se pode deixar de dizer,
pra depois se arrepender.
Ou,
não medem nada,
simplesmente deixam cair as amarras,
talvez ainda não estejam bem atadas,
e se entregam ao sentimento.
É difícil deixá-los.
As caras lindas,
os sorrisos que eu apaguei
embargam meu coração.
Eu mesma queria voltar ao ser criança,
pra não ter que fingir.
Não viver na frigidez deste mundo de adultos,
que jogam jogos agressivos,
dançam danças sem par,
pra se esconder de si mesmos.
Só às crianças e aos loucos
se permite o ser puro,
imperfeito como é.
Como somos.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Against Tsunamis
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Cheiro no meu gato
domingo, 18 de abril de 2010
Lula Queiroga - Melhor do que eu sou (pensando alto)
Soube que às vezes até chora por mim
Por isso é que eu tenho aparecido pouco
Você gostar de mim quando eu não estou
Imaginar um sujeito ideal
Meio normal, meio louco
Com a lente da mente
E no deserto do seu coração
Prefiro ser um vulto distante
Do que um chato a mais por perto
Quando a gente se encontrar de novo
E demorar num beijo
Até perder a língua, a voz e a noção
Do que é que pode acontecer entre nós
E você vai me achar melhor do que eu sou
Amanhã não vou te procurar
E você vai me achar melhor do que eu sou
Um pouquinho de Nei Lisboa
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro
quinta-feira, 18 de março de 2010
Poeminha
Trocou o ar nos pulmões,
queria gritar, mas não devia.
Não era desespero.
Era exaltação.
Talvez nem mesmo pudesse gritar,
por não haver palavras,
ou grunhidos capazes de dizer.
Riu em gargalhadas.
Por nada.
Inspirava fundo e algo ascendia dentro de si.
E o riso virava rio,
Por tudo.
Era como um bocejo,
só que maior,
bem mais embaixo,
e em todo o lugar.
Por novas alternativas criativas
Sua mão estava coçando muito ultimamente. Pensava muito em questões práticas e andava esquecendo de escrever. Já não passava horas divagando, queria coisas mais palpáveis. Comer o pão, cravar as unhas na carne, morder-lhe os lábios...
Também não queria mais escrever tratados românticos, ou expor suas vivências, que desde o perigoso aparecimento de um escorpiano, andavam mais resguardadas.
Sua mente continuava indomável como antes, quando desocupada, porém, por hora permanecia atarefada com outras tarefas intelectuais. Quando lhe tinha livre, queria alçar vôo, com liberdade, mas o céu que havia criado para si mesma a aprisionava. Queria traçar linhas em primeira pessoa, ser outras, outros, ser narrador onisciente, onipresente, implacável em sua caçada literária, criativa.
Criar novos espaços, talvez... ficar incógnita, de dentro espiando para fora. Olhando por seu próprio umbigo, escondida em todos os personagens e em nenhum. Fazer o que se o seu casulo a aprisionava criativamente?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sobre exus, algumas considerações
No ambiente inebriante à beira da lagoa, os exus bebiam e entoavam seus cantos. O cheiro era forte e o ar pesava sobre os olhos. Ela olhava fixamente para um exuzinho (ele que me perdoe se não é assim que se fala de um exu) que puxava a cantilena. Maquiado e bem vestido, em preto e vermelho, estava o exu vaidoso. Era menino, mas trazia uma camada branca sobre a pele, como resultado da aplicação excessiva de algum pancake vagabundo, que lhe conferia um leve ar de sebo de vela. Boca e bochechas enrubescidas por algum batonzinho Marchetti, ou coisa que o valha completavam o visual do demônio.
Varreu com os olhos a roda de exus malvadinhos, e constatou que a tenra idade era comum a todos, com a exceção de uma pombagira-homem, bem velha já. Mas isso não a conferia liderança, ao menos aparentemente. Esse papel era desempenhado por um exu alto e menino também, devidamente maquiado, que usava uma longa capa preta e rubra. Este tentava retirar do corpo de outro homem uma entidade maluca que lhe havia baixado, fazendo seu corpo girar. Depois, disse-lhe ao pé do ouvido uma série de coisas que a fizeram querer ser uma brisa da lagoa para colher tais palavras entre a boca e a orelha que as trocavam.
Tinha ainda uma figura especialmente cativante ao olhar. Destacava-se por vestir branco e jeans, e pelo comportamento afetado de bicha francesa. Circulava calmamente e com o nariz bem empinado. Segurava uma taça de plástico vermelho numa das mãos e na outra um cigarro longo como o da pantera cor-de-rosa. Era uma figura solene, atemporal, e tranquilamente poderia ter sido pinçada na roda dos exus e posta em um restaurante fino, que não haveria de se mal-comportar. E vice-versa. Esse era o tal exu gay que povoaria as discussões e elucubrações dos próximos dias.
Tem um que de teatral, ela pensava, argumentava com o companheiro, mais versado nas artes dessa crença. Nas roupas, figurinos, maquiagem, nessa preparação ritual, tem sim um que de teatral.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Carolinas
Havia ainda aqueles para quem a noite não tinha terminado. A estes, os guarda-chuvas denunciavam na manhã ensolarada, afinal prevenir é melhor do que remediar, e o seguro morreu sequinho, sequinho e bêbado, lá pras bandas da Cidade Baixa.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A Carta
Ela pensara em escrever muitas vezes essa semana, embora não tivesse tentado uma única vez. Agora que tentava, não saía nada, nenhuma gota da garrafa seca de bebida da noite passada. Era assim que se sentia, pois tinha os pensamentos absortos em qualquer quem, qual ou que e preferia guardar pra si. O medo de proferir em voz alta, escrever e deixar registros, e fazer o pensamento ficar concreto, real.
Sua produção havia escasseado de dezembro para cá, e o blog estava com sede. Decidiu então publicar a carta de uma amiga. Uma espécie de confissão, auto-análise na busca pelo próprio conhecimento. Como ela própria enfrentava sempre muitas dificuldades em se desvendar, achava lindas e válidas essas tentativas de iluminar um dos lados da obscura personalidade de cada um.
Quando crianças, elas se escreviam, tal qual outras amigas, bilhetinhos, cartinhas e etc. Não raro essas cartinhas eram destinadas a si mesmas, com o fim de válvula de escape. Ainda assim eram enviadas e muitas vezes só faziam sentido para quem as havia escrito. A tal carta foi uma dessas,porém recente e mais madura. Parecia fazer sentido e ser bastante explicativa. Ela pensava um dia poder se definir tão bem assim.
“ (...) Precisava escrever, e me ver no papel, desenvolver uma relação dialética, acarear a teoria e a prática. Lembrei da terapia das cartas e bilhetinhos de quando éramos pequenas, então vou, novamente, escrever para ti, querendo me encontrar no destinatário. Vou me definir para quem mais me conhece. Sou uma pessoa inconstante.Ora gosto de rosas, ora as acho a expressão da dominação masculina. Confusa também, tendo a me apaixonar por pessoas apaixonadas, pela paixão das pessoas. Paciente com as crianças, estouro fácil com os adultos e me canso das pessoas, com suas manias. Acho que o tempo é o melhor remédio, mas também acho que o tempo é relativo. Tudo depende da entrega, e não me entrego fácil. Tenho medo de relações novas, e às vezes das velhas também. Tenho um cantinho secreto que é só meu. Considero a ultrapassagem uma invasão da minha liberdade. Detesto quando desconheço os outros, desconstruo a linda imagem que outrora eu tive, a substituo pela real face, às vezes até bem feia. Assim, detesto não saber o que esperar dos outros. Também quero que os outros saibam bem o que esperar de mim: tudo, ou nada. Sou oito ou oitenta, nunca me agradaram meios termos, apesar de adotar posturas diplomáticas na solução de conflitos. Não gosto de ver o circo pegar fogo, a não ser se for para deixar tudo queimar e começar de novo. Já fui carpinteira do universo. Hoje já não sou, só tenho uns rompantes. Sou insegura, embora tente demonstrar que está tudo bem. Não quero ser amada por todos, mas quero que os que me amem, amem loucamente. Às vezes me cansam as loucuras, mas são o que me encanta no ser humano. Quando gosto de alguém é de cara, não deixo para gostar depois. Normalmente sei quando vou me apaixonar e saio correndo. Quando num relacionamento sou curiosa e quero aprender logo tudo do outro. Às vezes vou até o fundo e canso, às vezes a paixão para mim está na descoberta. Normalmente me entrego demais e me encanta o conjunto. Sou melancólica, e embora o sorriso me desminta, ele às vezes é a minha armadura de guerreira. Não gosto de demonstrar fraquezas, e só as divido com meu travesseiro.
Ok, acho que já chega, ao menos pra esta carta, pois ainda tenho muito o que te contar das minhas coisas, a parte da carta que realmente te tem como destinatária. Além do mais a terapia tem que ser constante e em pequenos drops.
Bueno, mas a coisa rolou mais ou menos assim (...) Beijo, me liga. Te amo.”