sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ARTE, OFÍCIO, NECESSIDADE

Abrindo suas asas por sobre este novo mundo, se entregara a um antigo hábito: escrever. Tal arte havia sido esquecida na monografia de faculdade e sentia que agora tinha uma relação mais madura com a coisa, mais pensada.
Realmente tinha certas obsessões compulsivas quanto à forma. Nunca escrevera como homem, talvez um dia viesse a fazê-lo, quando os compreendesse melhor. Já havia escrito poesia ruim e tinha medo dela em geral, embora demonstrasse uma certa atração por coisas que lhe causassem esta impressão. E definitivamente, nunca, nunca mesmo, conseguiria escrever em primeira pessoa.
Well, se a coisa é um diário, talvez fosse prudente adotar este ponto de vista... Ou trocar-lhe o nome, certo? Sim, pois preferia abandonar a idéia de um diário a ter de deixar de vivenciar estas experiências extra-corpóreas.
Também encontrava uma certa resistência em dar nomes a personagens. Na verdade tinha dificuldades em escolher nomes para tudo. Tinha medo de comprometer-se, de fazer uma escolha precipitada. De modo que quando foi dar um novo nome a seu novo brinquedinho, simplesmente não conseguiu. Assim sendo, deixou-se estar, e escreveu um diário em terceira pessoa.

Um comentário:

  1. Isto mesmo Lynn!
    Voa até não encontrar mais motivos e, enfim, pousar sobre o mais belo poema!
    Ta muito lindo!;)

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