sábado, 5 de setembro de 2009

Meninos

Sabia já tê-lo visto em algum lugar, por algum tempo, há muito tempo atrás. Ele, que era então um menino agora ostentava largos ombros e um corpo bem formado. Mantinha os leves traços orientais de outrora, e um ar travesso. O dia era cinza e úmido, e ambos carregavam milhares de coisas. Ele que era então um menino, levava agora um menino.
That pretty little thing... Aquela coisinha pequenina e expressiva, comunicava-se pelos cotovelos. Na carga genética, levava os olhos do pai, rasgados como os dos asiáticos. Tinha também um cabelo cor de mel, que devia ser proveniente de uma mãe, para ela desconhecida. Tinha uma graça própria da idade, devorava o mundo com os olhos, perguntava o universo e observava tudo.
Ela também observava. Ouvia, por sobre o ombro do pai, as conversações infantis. Curtia a cumplicidade entre os dois, o carinho. Aquele danadinho falava e erguia as sobrancelhas, fazendo gracinhas, tornando impossível para o pai, também um menino, não o agarrar abruptamente num forte abraço, ou pegar-lhe as bochechas, como quem quer eternizar um momento, como quem quer eternizar o menino.
Ela gostava dessas viagens de ônibus, pois tinha tempo para curtir as pessoas, como um voyer. Alguns desconhecidos lhe traziam sensações estranhamente familiares. Lembrou da infância e da infância com o seu menino, seu eterno companheiro, tão desejado. Amado com uma fraternidade dual que sua alma débil nunca conseguiu suprimir. Quis então ter eternizado todos os seus meninos, todos os meninos do mundo.

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