Às vezes escrever era como psicografar. Sabia que algo deveria sair, de si para o papel. Só não sabia ainda o que. Sempre fora assim. O novo olhar sobre o papel, depois de escrito, sempre a surpreendia.
Papel e caneta, sempre foram mais poéticos, como todas as coisas arcaicas, mas atualmente, quando algo tinha urgência de existir, de ser escrito, nascia direto nas teclas e na tela de seu computador. Essa sensação de ser a mão de uma caneta universal, simplesmente um meio, normalmente a acometia, e sabia que seus melhores textos não eram em verdade seus, e sim deles próprios, provenientes dessa linda vontade de nascer que a subjugava e a obrigava a escrever.
É claro, se questionava, se seriam mesmo seus os textos que concebia, e escrevia com a própria vontade? Seriam vivências e sentimentos verdadeiramente seus? Seriam realmente vivências e sentimentos de maneira geral? Ou seriam parte de um inconsciente coletivo, canalizado por ela em momentos de transe? Viagens oníricas, sonhos de outrem...
Talvez seja uma falsa questão, porque ao pensar que seus textos são deles mesmos ou dos outros tantos que nos compõem já é ter a resposta. Já a vontade, ela é nosso desejo, por vezes chamamos necessidade quando é um desejo incontrolável, vontade só quando é bem pouquinho, assim quase de frescura, ..."eu quero ...", hehehehe. Desejo é vontade e vice-versa. Quanto ao inconsciente coletivo, coitadinho ele não é isso e como diria meu amigo Gatt e seu fiel escudeiro Dele, essas noções freudianas fazem com o desejo ria-se de si mesmo.
ResponderExcluirA uns componho com vontade, outros com desejo... talvez seja mesmo essa a diferença, meu amigo!
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